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Modelo de negócios sustentável é desafio para IoT

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Em Jacarta, cidade da Indonésia com mais de 9 milhões de habitantes, quase 90 mil luminárias de LED nas ruas são controladas centralmente e gerenciadas de forma remota. Na segunda fase do projeto, que está em implantação, serão 150 mil atualizadas, o que transformará esse no maior projeto de iluminação pública inteligente no Sudeste da Ásia. O uso de LED representa uma economia superior a 50% em eficiência energética. Mas isso é apenas parte de todo potencial que essa digitalização está trazendo para a cidade. Como cada ponto de luz é conectado à arquitetura do sistema de iluminação, os dados de desempenho são enviados diretamente para a central de operação da cidade, o que gera a inteligência de todo processo. Assim, à noite, quando o tráfego é baixo, o escritório de Jacarta pode reduzir a iluminação em 50%, resultando em economia de energia adicional. Eles também recebem dados atualizados dos status das luminárias, como notificações de falhas. E é aí que mágica acontece. São resultados como esses que serão capazes de fazer com que a Internet das Coisas (IoT) deixe de ser vista como uma tecnologia disruptiva, mas cara, para algo possível de ser implementado em escala nas empresas e nas cidades. “É a falta de uma modelagem financeira para justificar os projetos de IoT que faz com que a adoção ainda seja incipiente, e não a ausência de tecnologia”, projeta o diretor de Vendas e Comercial da Signify Brasil, Sergio Baptista da Costa, que acredita que essa adoção será massificada nos próximos anos. A empresa, antes chamada de Philips Lighting (operação de iluminação da Philips) e líder mundial em iluminação, é a responsável pela realização do projeto em Jacarta e em outras cidades, como em Los Angeles (EUA), onde estão sendo adicionados serviços aos sistemas de iluminação, como o sinal de Wi-Fi. A visão de futuro deve ser a de deixar de perceber IoT como uma simples automatização de objetos e sistemas para perceber o valor estratégico dos dados gerados por esses sensores. Além disso, a tecnologia pode ser usada para ajudar as empresas a reduzirem custos e até mesmo pensarem em novos serviços e modelos de negócios para serem oferecidos ao mercado. “A utilização desse sensores só para controlar luminárias possivelmente não justificaria o investimento. Mas, se nos dermos conta das outra fontes possíveis de economia, como a redução do custo dos fornecedores que cuidam da manutenção de uma cidade, na verdade sairá muito barato”, afirma Costa. O executivo cita o exemplo das concessionárias de energia, que têm um gasto muito alto com demandas judiciais dos consumidores decorrentes da queima de produtos elétricos em função da flutuação da rede elétrica. Hoje em dia, é difícil identificar quais os casos em que o problema ocorreu de fato por isso. “Mas, se a empresa de energia tiver um sistema de telegestão, conseguirá ver o histórico, analisar possíveis problemas da rede e reduzir gastos desnecessários” analisa o executivo. Cofundador da Altus e da HT Micron e com grande experiência no mercado de tecnologia, Luiz Gerbase concorda que é fundamental que se crie um modelo de negócios adequado para a operação dos sistemas de IoT. “Essas soluções envolvem hardware, redes de comunicação e uma plataforma em nuvem, e a sua colocação no mercado é mais complexa que a simples venda de um produto”, observa. Segundo ele, é preciso um estudo aprofundado do quanto o prestador de serviços cobrará e como o cliente final pagará. “Também é necessário verificar o retorno do valor investido”, acrescenta Gerbase, que também é o fundador e CEO da Ayga, empresa especializada no fornecimento de soluções para gestão de negócios em tempo real com Internet das Coisas. Encontrar o modelo de negócios ideal é um dos aspectos para destravar a adoção de IoT no Brasil. Os outros ainda envolvem o barateamento do custo dos sensores que são colocados nos objetos, a definição dos modelos ideais de conectividade e as questões legais e tributárias. Nesse sentido, é grande a expectativa do mercado para o Plano Nacional de IoT, que deveria ter sido publicado em 2017. O documento já estava na Casa Civil e, com a troca de governo, voltou para ser avaliado pela nova gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Mas parece não ter perdido o status de estratégico. “O tema continua sendo prioritário para a União e neste ano ainda deve ser publicado”, acredita o coordenador de IoT do MCTIC, Guilherme de Paula Corrêa. O documento é importante para ajudar esse mercado a deslanchar. A começar pelo fato de que o decreto definirá o que é IoT. Isso significa explicitar se essa tecnologia se enquadra como um serviço de telecom (pesadamente tributado) ou como Serviço de Valor Agregado (SVA), que roda em cima de telecom, mas não se confunde como tal. Outra nuance importante é a definição do que são os sistemas Máquina-Máquina (M2M). “Desde 2014, existe uma discussão do que é sistema M2M e porque existe uma isenção fiscal para sistemas considerados como tal”, relata Corrêa. O decreto definirá também agricultura, saúde, cidades inteligente e indústria como as quatro áreas encaradas pelo governo brasileiro como prioritárias para projetos de IoT desenvolvidos no Brasil.

Jornal do Comércio

Patricia Knebel

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13 de maio de 2019 Escrito por: Robson Ferreira
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