Rodas não são mais hegemônicas no campo

0 Flares 0 Flares ×

Utilizado por produtores norte-americanos desde os anos 1990, tratores e colheitadeiras com esteiras de borracha devem ganhar mais espaço nas lavouras brasileiras nos próximos anos – e acabar com a hegemonia das rodas no campo. O grande apelo de vendas é que o sistema compacta menos o solo, o que eleva a produtividade das lavouras. No entanto, o maior entrave para a expansão são os valores.

Um modelo com esteira custa em torno de US$ 100 mil a mais do que um equipamento equivalente com rodas. Ainda assim, diferentes indústrias estão apostando nesse segmento como um promissor mercado para o futuro. Na Agrishow, a maior feira de tecnologia rural da América Latina, realizada no início do mês, em Ribeirão Preto (SP), as esteiras foram destaques de grandes fabricantes como Case IH, New Holland e John Deere. De acordo com as montadoras, grandes produtores – especialmente do Centro-Oeste e da região do Matopiba – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia já colocaram os valores na ponta do lápis e aprovaram o sistema e os ganhos, que também incluem economia de combustível e maior tração em solos inundados. Com uma área de contato maior com o solo, as esteiras distribuem melhor o peso da máquina. E o peso não é pouco: um trator de alta potência alcança 25 toneladas.

“Mesmo com toda a tecnologia usada hoje, um trator de grande potência e uma colheitadeira fazem muita pressão no solo. E mesmo modelos com pneus duplos não têm os mesmos benefícios da esteira”, assegura Silvio Campos, diretor de marketing de produtos da Case IH. O ganho na adoção dessa tecnologia vem na safra seguinte ao uso, na verdade. Isso porque o solo muito compactado em uma colheita vai afetar o plantio seguinte, prejudicando o desenvolvimento das plantas. Com solo mais denso, as raízes absorvem menos água e nutrientes e, consequentemente, têm menor rendimento. “O custo maior da máquina é expressivo, mas se paga com os ganhos posteriores. No Mato Grosso, um cliente com 200 máquinas iniciou colocando esteiras em alguns tratores e está transformando todo maquinário de alta performance para esse modelo”, exemplifica Campos. Na Case IH, o trator Quadtrac, importado, e as colheitadeiras de grãos Axial-Flow Série 230, fabricadas em Sorocaba (SP), começaram neste ano a ser comercializadas com largas esteiras de borracha. Segundo Campos, cerca de 10 tratores desse modelo e 40 colheitadeiras já estão em lavouras brasileiras.

“Hoje temos apenas um trator e uma colheitadeira com esteira no Brasil, sem necessidade de adaptações. Progressivamente, com o mercado entendendo todas as vantagens, vamos ampliar os lançamentos”, explica o executivo. A John Deere também está apostando no segmento, e apresentou com destaque na Agrishow um trator com esteira e uma colheitadeira. Além da compactação menor do solo, o modelo reduz em 50% a patinagem, o que gera economia no combustível, ressalta Maurício de Menezes, gerente de marketing tático da John Deere.

“Já tínhamos a linha de tratores 9R, com rodas. A esteira é uma opção focada em tráfego controlado para diminuir a patinagem e a compactação do solo”, destaca o executivo. No estande da New Holland na Agrishow, o T9.700, maior trator da marca da CNH Industrial, era praticamente quem recepcionava os visitantes ao chamar a atenção para a sua estreia na feira. A empresa afirma que trouxe para o Brasil a maior opção possível em esteira, com 900 mm de largura, e novo design. “As esteiras tradicionais triangulares empurram os obstáculos antes de vencê-los. Com o nosso design, a esteira rola por sobre eles ultrapassando-os com facilidade”, diz Nilson Righi, gerente de marketing para produto da CNH. – Jornal do Comércio

Para quem ainda não tem condições de adquirir uma máquina que já saia de fábrica com esteira, a opção é um kit para adaptação. O custo gira em torno de US$ 70 mil, incluído a instalação e adaptação da máquina ao modelo. O kit, produzido pela Agro Máquinas, de Eldorado do Sul (RS), é feito em parceria com a canadense Camso, do grupo Michelin. Em 2018, a fabricante comercializou cerca de 65 kits no mercado nacional, de acordo com o diretor comercial, Alexandre Appel, em uma produção que começou quase como um teste, em 2015.

O executivo conta que a ideia de produzir as esteiras de borracha começou a ser pensada ainda nos anos 1990, após uma viagem do fundador aos Estados Unidos, mas não prosperou. Há quase quatro anos, porém, a fabricante que já trabalhava com esteiras metálicas retomou o projeto ao perceber que o mercado brasileiro já estava em condições de assimilar o produto e com recursos para isso.

De acordo com Appel, como a agricultura no Brasil alcançou um nível elevado de adoção de tecnologias em suas máquinas, agora pode investir para ampliar a produtividades das lavouras de outras formas. E por isso, diz, o avanço das esteiras no agronegócio brasileiro é uma forte tendência. “Estudos mostram que ao usar uma colheitadeira de esteira o produtor consegue, dada a menor compactação, ter um ganho de até 6% na lavoura seguinte”, diz Appel.

Jornal do Comércio

Thiago Copetti

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Pin It Share 0 0 Flares ×
13 de maio de 2019 Escrito por: Robson Ferreira
Parceiros Empresas Gaúchas
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Pin It Share 0 0 Flares ×