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Pandemia destaca a importância da mulher em cargos de liderança

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Josiane Salgado

O ambiente empresarial tomou rumos inesperados em 2020. Negócios fechando e se auto repaginando para atender as demandas que mudavam quase que diariamente, assim com o seu público. Além das alterações bruscas na forma dos profissionais atuarem, o cenário destacou resultados mais positivos nos negócios liderados por mulheres. Entre março e junho do ano passado, os pesquisadores da Universidade de Harvard, Jack Zenger e Joseph Folkman, realizaram avaliações 360 graus com homens e mulheres, concluindo que o público feminino, de fato, realiza uma melhor gestão durante períodos de crise
 
Para a psicóloga Helena Brochado, consultora da Fundatec – Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências, o conceito de liderar não é mais um “fala e o outro obedece”, mas sim o de inspirar e mostrar que o trabalho do colaborador é importante, fazendo este se engajar com a causa. Ter inteligência emocional, algo que as mulheres – por serem mulheres – são mais direcionadas a explorar do que os homens, faz com que elas desenvolvam, de fato, uma sensibilidade maior. Ou seja, o ponto positivo desta pandemia tem se refletido no fato das empresas estarem reconhecendo esta habilidade comportamental dentro do meio corporativo. “Principalmente no online, no qual não vemos o outro e precisamos de uma certa sensibilidade para entender o que aquele colaborador ou cliente precisa naquele momento”, sinaliza. 
 
De qualquer forma, cada vez mais é possível perceber um forte movimento para a inserção de mulheres nos ambientes de trabalho, principalmente ocupando cargos de gestão. “Atualmente há empresas monitorando indicadores internos para o controle desse objetivo, como na área de Tecnologia da Informação, além da implementação de grupos internos para discutir exclusivamente novas possibilidades para uma organização mais igualitária. Na área das exatas, muitas companhias têm buscado talentos femininos diretamente em faculdades, focando no desenvolvimento destas estudantes dentro da empresa”, explica. 
 
Apesar desses avanços positivos, ainda é preciso continuar encontrando meios de ocupar mais espaços dentro do mercado de trabalho. A consultora destaca a palavra Sororidade, que vem da palavra em latim sorella e significa irmã, a força das mulheres juntas. “Fomos educadas a pensar que mulheres juntas não produzem, desfocam e fofocam. Então a sororidade é um movimento para que nós possamos estar próximas e ajudarmos umas às outras. Quando as mulheres se unem, elas conseguem gerar um eco maior, tanto no ambiente corporativo quanto em outros”, finaliza. 
 
Os desafios durante o percurso profissional 
 
Antes de chegar à gestão da área de Concursos e do Capital Intelectual da Fundatec, Josiane Salgado já possuía como meta, desde a adolescência, construir sua própria independência e uma carreira sólida. Enquanto equilibrava o primeiro emprego como promotora de supermercado e os estudos da escola, se iniciavam alguns desafios profissionais, que ainda são barreiras presentes para muitas mulheres que desejam começar sua trajetória profissional ou obter reconhecimento em seus cargos. “Situações estas relacionadas com aparência, como não estar enquadrada em um determinado ‘estereótipo’ para preencher certa vaga, que causaram constrangimento, como piadas machistas, olhares e comentários insinuantes, que até mesmo colocaram em dúvida o meu potencial por ser mulher”, recorda. 
 
Apesar dos momentos difíceis, Josiane conta que as experiências a permitiram compreender qual era o seu papel e a superar obstáculos que pudessem aparecer, bem como construir seu legado. Como o seu início na Fundatec, aos 26 anos, sendo efetivada em menos de seis meses de contrato de estágio, o que a auxiliou em seu desenvolvimento profissional. “Na Fundatec, tive a oportunidade de mostrar o meu potencial e adquirir novos conhecimentos que alavancaram minha carreira profissional, exemplo disso são as duas pós-graduações e um MBA, relacionados às áreas administrativa e educacional que possuo atualmente”, analisa. 
 
Já na gestão da Fundatec, a profissional passou por duas gestações, período no qual diversos questionamentos estiveram presentes em sua rotina, principalmente relacionados ao equilíbrio. “Como equilibrar a vida profissional com a pessoal era uma das perguntas que passavam por minha cabeça. Hoje em dia, acredito que uma boa líder é uma ótima mãe. A maternidade é algo que gera uma energia grande que possibilita superar qualquer obstáculo”, afirma. 
 
Ainda assim, destaca que deve haver uma mudança nos modelos tradicionais de pensamento, pois parte da sociedade ainda crê que algumas atividades pertencem apenas às mulheres, como tarefas da casa, rotina de cozinha e acompanhamento escolar dos filhos. O que não é diferente no mercado de trabalho, principalmente para uma mulher em cargo de liderança. Segundo ela, ainda há uma necessidade de valorização maior das mulheres, que por vezes têm suas vozes apagadas por atitudes intimidadoras. “Está na hora das organizações reconhecerem que os resultados obtidos por lideranças femininas se apresentam extremamente positivos e significativos ao universo corporativo, não é em vão que se destacam lideranças femininas no enfrentamento à crise, como Jacinda Ardern e Luiza Trajano, entre outras”, pontua. 
 
Estando no ambiente familiar ou de trabalho, Josiane explica que é importante que toda mulher seja fiel ao que acredita e ao que é importante para si. “Ter serenidade de enfrentar um dia de cada vez, principalmente no cenário atual em que estamos mais digitais, o restante vamos deixando que a vida coloca no seu devido lugar” finaliza. 

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5 de março de 2021 Escrito por: Empresas Gaúchas
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