Principal » Artigos » Justiça uma das quatro virtudes cardinais

Justiça uma das quatro virtudes cardinais

0 Flares 0 Flares ×

karinaInicialmente gostaria de registrar minha satisfação em assumir tão honrosa função junto a este Tribunal. Mas é preciso reconhecer que com a honraria vem a responsabilidade a ela inerente. Quando decidi cursar a faculdade de Direito e mesmo quando ingressei na magistratura não tinha a real noção das implicações que este caminho representava.

O conceito de justiça tem a sua origem no termo latino iustitĭa e refere-se a uma das quatro virtudes cardinais (ou cardeais), aquela que é uma constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido.

A palavra “cardeal” é derivada de expressão latina que significa “gonzo da porta” (aquele dispositivo rudimentar que permite a rotação de uma folha de porta ou janela em torno de um eixo) e são chamadas cardeais porque são, definitivamente, “fundamentais”. São elas a PRUDÊNCIA, a TEMPERANÇA, a JUSTIÇA e a FORTALEZA.

A prudência é a sabedoria na prática e nos leva a pensar nos nossos atos e em suas consequências.

A temperança está relacionada à moderação e ao respeito aos limites.

A Justiça está relacionada ao que hoje chamamos de imparcialidade e inclui a honestidade e a veracidade.

A fortaleza envolve dois tipos de coragem. A que nos faz enfrentar o perigo e a que nos leva a suportar a dor.

Tais virtudes, no entanto, estão interligadas. Em um mundo ideal uma não pode existir sem a outra.

As virtudes cardeais, como dito, são quatro. O número 4, segundo Pitágoras, representa a Justiça pois corresponde à soma de dois números pares iguais (2+2). Justiça traz a ideia de proporcionalidade, medida, adequação.

Na antiga Grécia havia duas palavras gregas empregadas como “Justiça”: to eson ou isotes, que significa igualdade e dikaiosune, que significa retidão.

Platão afirma que a justiça é a base para todas as virtudes, o sábio é uma pessoa virtuosa, logo o sábio deve, por excelência, ser alguém justo.

No sentido mais sagrado a Justiça é um atributo da perfeição de Deus.

Faço esta digressão não para enaltecer a pessoa do julgador, seja qual for o grau de jurisdição em que atue, visto que, como ser humano que é, é imperfeito e falível. Mas para evidenciar o quanto uma carreira associada à palavra “Justiça” é capaz de estimular o moldar do caráter e da conduta daquele que à ela se dedica. Demonstrar a grande responsabilidade que cerca a tarefa de “dar aos outros o que lhes é devido”. Trata-se de uma atividade que não admite o ceder às paixões, pois estas nos afastam da retidão, nos retiram do “prumo”. É um caminho em grande medida solitário, pois exige a submissão à própria consciência. O conhecimento técnico é de inestimável importância, mas a sabedoria, a Sophia, é  sem dúvida o objetivo a perseguir.

Hoje sinto que esta carreira me moldou muito mais do que eu a ela. Longe estou da dignidade real que a Justiça  representa, mas sem dúvida a atividade a que me dedico impõe um exercício diário e constante de aprimoramento pessoal, de revisão de conceitos e de conduta. Consiste em um instrumento de crescimento pessoal de valor incalculável.

Por tudo isso, preciso declarar aqui minha gratidão e meu compromisso com a busca constante das virtudes necessárias à plena realização dos ideais que inspiram esta Instituição.

Para este desiderato conto com elementos valiosos que são: a comunidade em que transito, que traz seus dilemas e dores na busca de uma solução; a família e amigos que apoiam com seu carinho e compreensão; os colegas de trabalho e operadores do Direito que estimulam a percepção e a compreensão das lides sob outras luzes; os servidores que com sua dedicação e entrega fornecem os meios necessários para a realização desta nobre tarefa.

Estamos todos, definitivamente, interligados e o crescimento de um reflete necessariamente na consciência do todo. Tenho certeza que esta nova fase que se inicia representará uma rica experiência de crescimento pessoal e profissional. E a todos aqueles que ao longo dos anos, direta ou indiretamente, contribuíram para este momento, muitos dos quais anônimos até mesmo para mim, o meu muito obrigado.

Teria muito mais a falar sobre as dores e sobre as satisfações inerentes ao trabalho relacionado à busca da Justiça, mas neste instante desejo apenas registrar meu agradecimento por esta oportunidade única e memorável.

Discurso da Desembargadora Karina Saraiva Cunha, durante sua posse na Justiça do Trabalho, no dia 6 de novembro de 2015.

 

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Pin It Share 0 0 Flares ×

Empresas Gaúchas

"15 minutos e você bem informado"

12 de novembro de 2015 Escrito por: Empresas Gaúchas
Parceiros Empresas Gaúchas
0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Pin It Share 0 0 Flares ×